quinta-feira, 28 de maio de 2009

AI MEU DEUS

Tira genial do NICOLAS GUREWITCH. Tirada do blog do Adão.


terça-feira, 26 de maio de 2009

Desditem

Porque aqui se faz e aqui se apaga e quando muito se espera, rápido se cansa, então nada será diferente mesmo. Na verdade nada é do jeito que a gente queria que fosse, portanto o protesto está em não fazer nada. Se não vai ser assim, também não ser assado não senhor, não vai ser e ponto. Outro alguém que se magoe por não conseguir as coisas do jeito que ele queria, eu desisto de querer. Não quero nada. Só quero não desejar mal a ninguém, e isso eu consigo, do meu jeito. O resto eu não quero, e quero distância do querer, porque quem tudo quer, tudo tem e nada satisfaz.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Campanha

O Ivan lançou e eu tranformo numa campanha:
Eis a campanha FREE MAÍSA!
O Nosso recado pro tio Sílvio:

AI AI AI UI UI!!!!!!!

Peço a todos que passem essa mensagem em seus blogs, pra que o cara se toque largue a pobre menina em paz o quanto antes, pra que ela não se torne um Rafael Ilha ainda na adolescência.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Estados Alterados

Uma vez eu assisti numa madrugada um filme chamado "Viagens Alucinantes", que falava de um cientista que tentava provar que outros níveis de consciência são na verdade uma forma de nos ligarmos ao passado da nossa existência como espécie. Eu não consegui ver o filme até o final naquela madrugada, pois os sono era maior que a curiosidade, mesmo assim, tendo visto um pouco mais da metade do filme achei o tema interessantíssimo, e acabei colocando o filme no arquivo dos "Bons" na minha memória. Mais ou menos uns sete anos depois eu achei o filme numa locadora e aluguei, pra ver até ao final. O resultado é que o final do filme é horrível, e hoje ele está no arquivo de "Filmes Que Poderiam Ter Dado Certo Mas Que Metem os Pés Pelas Mãos no Final" da minha memória. Tendo passado por noites muito mal dormidas ultimamente, resolvi (por pura falta do que fazer e pra ver se o sono vinha) listar mais alguns filmes que eu vi e que na minha concepção tinha tudo pra ser uma coisa muito boa, mas não foram. Lembrei de cara de uma adaptação do Stephen King pro cinema chamada "It", um filme de umas três horas, com um clima excelente, mas com um final terrível. O trauma dos personagens e a forma como ele é retratado no filme é ótima, a idéia de tornar a imagem de um palhaço como um vilão possivelmente sobrenatural, apesar de batida é muito bem aproveitada, até o final ( VOU CONTAR O FIM DO FILME HEIN!!!), quendo vilão que tanto assusta e sugere o medo de forma tão eficaz se revela uma espécie de aranha gigante interplanetária. Ruim, né? Mas até esse desfecho caótico o filme é muito bom. Depois lembrei de um filme francês que vi num canal de UHF chamado "Doberman". Esse filme me dá raiva até hoje, mas tao contrário dos outros dois citados o problema não é o final, porque a história inteira é horrível. Pancadaria, sanguinolência, clichês e golpes de bandidos com cara de "Sou muito mal, olha a minha careta de vilão". Mas os aspectos técnicos do filme são incríveis: Um visual estilizado muito bem bolado, ao estilo Peter Greenaway, somado a uma edição maravilhosa, com claras referências aos filmes de ação dos anos 70, onde você via vários planos de sequência(ou quadros) ao mesmo tempo que se completavam. O Brian de Palma faz isso muito bem até hoje, vale conferir essa técnica em "Femme Fatale", outro filme ótimo com um final horrível, (aliás, alguém reparou que nesse filme tem um personagem que fica um montão de anos na cadeia e quando sai, recebe as roupas que tinha quando chegou, inclusive a sua camisa que estava cheia de sangue, e depois de tantos anos o sangue na camisa ainda está vermelhão-vivo?). Outro filme nessa linha é "Encaixotando Helena", que parte de uma premissa original, que chama a atenção, mas que é tão mal interpretado e tão mal resolvido que enjoa. Filme de zumbi é um prato cheio pra esse tipo de coisa acontece (sim, eu gosto de filme de zumbi, e aí???"A noite dos mortos-vivos" do George Romero é um clássico), vide "Extermínio", do oscarizado Danny Boyle, onde um cidadão inglês comum cercado de zumbis e militares alucinados se torna um RAMBO em vinte minutos. Aí eu prefiro ver o Stallone mesmo, pelo ele já tem aquela cara de lunático por natureza e o filme é legal do começo ao fim (O primeiro "Rambo", os outros são perfumaria). Geralmente filmes metidos a "filmes cabeça" acabam caindo nessa falha porque vão se enrolando tanto que não conseguem se resolver de uma forma decente, ou inventam algo que não tem nada a ver com o enredo (o que nos deixa com aquela de "tudo aquilo por causa disso?") ou apelam pra tática do "foi tudo um sonho" ou "foi tudo armado há vinte anos atrás quando o personagem principal tinha 6 anos". Mancada isso. Nessa linha temos "Garotas Selvagens", Cheque Mate" e alguns outros que agora eu não lembro. To com sono. Depois mando mais.




































Tem quem saiba das coisas

“As mulheres são todas diferentes. Quando se perde um homem, há outro igual ao virar da esquina. Quando se perde uma mulher, é uma vida”.

Raymond Chandler

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sempre Vale a Pena

Reler esse poema.


Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa
Aquele homem mal vestido, pedinte por profissão que se lhe vê na cara,
Que simpatiza comigo e eu simpatizo com ele;
E reciprocamente, num gesto largo, transbordante, dei-lhe tudo quanto tinha
(Exceto, naturalmente, o que estava na algibeira onde trago mais dinheiro:
Não sou parvo nem romancista russo, aplicado,
E romantismo, sim, mas devagar...).
Sinto uma simpatia por essa gente toda,
Sobretudo quando não merece simpatia.
Sim, eu sou também vadio e pedinte,
E sou-o também por minha culpa.
Ser vadio e pedinte não é ser vadio e pedinte:
E' estar ao lado da escala social,
E' não ser adaptável às normas da vida,
'As normas reais ou sentimentais da vida -
Não ser Juiz do Supremo, empregado certo, prostituta,
Não ser pobre a valer, operário explorado,
Não ser doente de uma doença incurável,
Não ser sedento da justiça, ou capitão de cavalaria,
Não ser, enfim, aquelas pessoas sociais dos novelistas
Que se fartam de letras porque tem razão para chorar lágrimas,
E se revoltam contra a vida social porque tem razão para isso supor.
Não: tudo menos ter razão!
Tudo menos importar-se com a humanidade!
Tudo menos ceder ao humanitarismo!
De que serve uma sensação se há uma razão exterior a ela?
Sim, ser vadio e pedinte, como eu sou,
Não é ser vadio e pedinte, o que é corrente:
E' ser isolado na alma, e isso é que é ser vadio,
E' ter que pedir aos dias que passem, e nos deixem, e isso é que é ser pedinte.
Tudo o mais é estúpido como um Dostoiewski ou um Gorki.
Tudo o mais é ter fome ou não ter o que vestir.
E, mesmo que isso aconteça, isso acontece a tanta gente
Que nem vale a pena ter pena da gente a quem isso acontece.
Sou vadio e pedinte a valer, isto é, no sentido translato,
E estou-me rebolando numa grande caridade por mim.
Coitado do Álvaro de Campos!
Tão isolado na vida! Tão deprimido nas sensações!
Coitado dele, enfiado na poltrona da sua melancolia!
Coitado dele, que com lagrimas (autenticas) nos olhos,
Deu hoje, num gesto largo, liberal e moscovita,
Tudo quanto tinha, na algibeira em que tinha pouco
Aquele pobre que não era pobre que tinha olhos tristes por profissão.
Coitado do Álvaro de Campos, com quem ninguém se importa!
Coitado dele que tem tanta pena de si mesmo!
E, sim, coitado dele!
Mais coitado dele que de muitos que são vadios e vadiam,
Que são pedintes e pedem,
Porque a alma humana é um abismo.
Eu é que sei. Coitado dele!
Que bom poder-me revoltar num comício dentro de minha alma!
Mas até nem parvo sou!
Nem tenho a defesa de poder ter opiniões sociais.
Não tenho, mesmo, defesa nenhuma: sou lúcido.
Não me queiram converter a convicção: sou lúcido!
Já disse: sou lúcido.
Nada de estéticas com coração: sou lúcido.
Merda! Sou lúcido.


Álvaro de Campos

Transações Solitárias


Somos dois. O dia passa devagar em ações diferentes e diferentemente não estamos, mas somos, sempre somos. Seja sol ou chuva (também são dois), estamos em nossos momentos de brilho ou tempestade, obedecendo as nossas diferenças e nos assemelhando nelas. Somos sentindo. Continuamos os nossos dias diferentes, sem tanto nos aproximar, constatando as casualidades, comentando e rindo delas, compartilhando as nossas frescas solidões a distância, como dois que vêem diferente. Somos seguindo. Nossas histórias aos outros que não são nós tem seus nós, aquelas emendas que suavizam e descartam o que talvez nem precisava ser suavizado, mas também é de desnecessária publicação, delicadas omissões. Somos omitindo. Chegamos às nossas solidões em particular, particularmente sós, a sós. Trocamos as nossas mentiras falsas como odes (odilê, odilá) e vomitamos tudo o que podemos e queremos vomitar. Somos sorrindo. Tocamos as feridas um do outro e seguimos até onde é possível tocar, aí somos somando. O resultado é um outro, não um terceiro e sim um anterior, mais antigo, mais novo, mais lascivo. Não somos mais. É apenas um, solitário, desafligido, sem preocupações a não ser a de descobrir os quatro cantos do seu espaço íntimo. Em cada canto desse íntimo há um caracol, um pingente e uma trança. Esse festival de signos se desenrolam lentamente, ao seu tempo, se perdem e se acham a cada olhar furtivo e mantém a tensão presa nesse um que desintegra os dois. Desatam-se os nós em uma fita que passa a transmutar em cores vivas, só cores vivas, que se realçam a luz do dia, um único, solitário mas preenchido, desnecessário mais adjetivos. O sol e a chuva também estão juntos no mesmo céu, é só olhar além das diferenças do dois. Somos um.



Ps: Obrigado pela idéia.