(Alceu Valença)
Recomeçando das cinzas
Eu faço versos tão claros
Projeto sete desejos
Na fumaça do cigarro
Eu penso na blusa branca de renda
Que dei pra ela
Na curva de suas ancas,
Quando escanchada na sela
Lembro um flamboyant vermelho
No desmantelo da tarde
A mala azul arrumada
Que projetava a viagem
Recomeçando das cinzas
Vou recompondo a paisagem
Lembro um flamboyant vermelho
No desmantelo da tarde
E agora, penso na réstia
Daquela luz amarela
Que escorria no telhado
Pra dourar os olhos dela
Recomeçando das cinzas
Vou renascendo pra ela
E agora penso na réstia
Daquela luz amarela
E agora penso que a estrada
Da vida tem ida e volta
Ninguém foge do destino
Esse trem que nos transporta
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Anotem aí
"Toda a vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar" - Siba
"A gente tem juízo, mas não usa" - Lula Queiroga
"É um pouco disso tudo que eu preciso" - Lula Queiroga
O importante é aprender a dançar, senão a gente dança, roda e cai tonto no meio da pista.
"A gente tem juízo, mas não usa" - Lula Queiroga
"É um pouco disso tudo que eu preciso" - Lula Queiroga
O importante é aprender a dançar, senão a gente dança, roda e cai tonto no meio da pista.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Antigamente...
...Eu dava risada da minha própria desgraça. Criava frases de efeito tragicômico e me divertia. Hoje em dia eu não esqueço, não mereço e não apareço nem desapareço.
Uma clássica das antigas: "Se a esperança é a última que morre, eu prefiro matá-la pessoalmente."
Uma clássica das antigas: "Se a esperança é a última que morre, eu prefiro matá-la pessoalmente."
Requentado, mas ainda gostoso
To buscando inspiração no Tantaprosa, que aliás era muito bom. Busquei um texto do Salvaterra e resolvi postá-lo aqui. Vale a pena mesmo.
Escada de Jacó
André Pescaldo descia devagar, as escadas e a própria mente: em direção à sua cova pessoal, cavada no fundo de seu púbis virulento e enrugado. Pisou tantos degraus quanto pode, até o momento em que a tristeza e a incerteza o mataram de dores nas unhas dos pés. Deslizava as mãos pela parede destroçada por tiros e urina — o cheiro do ácido úrico queimando fundo em seu útero petrificado (Pescaldo era artista improdutivo). Sentiu o ranger dos pregos safados roçando na madeira ordinária da escadaria do cortiço. Pisava pensativo cada degrau com medo de descer pelo próprio corpo e encontrar seu escuro pessoal do qual não escaparia.Quando se ajeitou na porta da cozinha comunitária (alinhou a gola da camisa, puxou a cueca para o lugar), sentiu a protuberância pontuda contra seu nariz, que era o cheiro absurdo de cebola cozida. Absurdo, em verdade, contra sua existência, pois aquela pasta forte e quente o acusava de faminto. Sentiu o estômago contorcer-se num espasmo de vida, um animal de boca escancarada lutando contra seu hospedeiro.Contou o dinheiro do bolso, sentindo o peso de seu pulso ossudo pendurado em seu braço marcado de agulhadas que quase o estraçalhavam. Resolveu deixar a comida para quem podia. Não, ele não podia. De forma alguma. Tinha hora marcada com o colchão imundo estirado no chão de seu cômodo. Comprou mais uma dose e torceu para que aquela o levasse daquele lugar: arrastado, com uma estampa de saliva espumosa no peito, a delatar sua morte para daqui a dois segundos.
Escada de Jacó
André Pescaldo descia devagar, as escadas e a própria mente: em direção à sua cova pessoal, cavada no fundo de seu púbis virulento e enrugado. Pisou tantos degraus quanto pode, até o momento em que a tristeza e a incerteza o mataram de dores nas unhas dos pés. Deslizava as mãos pela parede destroçada por tiros e urina — o cheiro do ácido úrico queimando fundo em seu útero petrificado (Pescaldo era artista improdutivo). Sentiu o ranger dos pregos safados roçando na madeira ordinária da escadaria do cortiço. Pisava pensativo cada degrau com medo de descer pelo próprio corpo e encontrar seu escuro pessoal do qual não escaparia.Quando se ajeitou na porta da cozinha comunitária (alinhou a gola da camisa, puxou a cueca para o lugar), sentiu a protuberância pontuda contra seu nariz, que era o cheiro absurdo de cebola cozida. Absurdo, em verdade, contra sua existência, pois aquela pasta forte e quente o acusava de faminto. Sentiu o estômago contorcer-se num espasmo de vida, um animal de boca escancarada lutando contra seu hospedeiro.Contou o dinheiro do bolso, sentindo o peso de seu pulso ossudo pendurado em seu braço marcado de agulhadas que quase o estraçalhavam. Resolveu deixar a comida para quem podia. Não, ele não podia. De forma alguma. Tinha hora marcada com o colchão imundo estirado no chão de seu cômodo. Comprou mais uma dose e torceu para que aquela o levasse daquele lugar: arrastado, com uma estampa de saliva espumosa no peito, a delatar sua morte para daqui a dois segundos.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
Desditem
Porque aqui se faz e aqui se apaga e quando muito se espera, rápido se cansa, então nada será diferente mesmo. Na verdade nada é do jeito que a gente queria que fosse, portanto o protesto está em não fazer nada. Se não vai ser assim, também não ser assado não senhor, não vai ser e ponto. Outro alguém que se magoe por não conseguir as coisas do jeito que ele queria, eu desisto de querer. Não quero nada. Só quero não desejar mal a ninguém, e isso eu consigo, do meu jeito. O resto eu não quero, e quero distância do querer, porque quem tudo quer, tudo tem e nada satisfaz.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Campanha
O Ivan lançou e eu tranformo numa campanha:
Eis a campanha FREE MAÍSA!
O Nosso recado pro tio Sílvio:
AI AI AI UI UI!!!!!!!
Peço a todos que passem essa mensagem em seus blogs, pra que o cara se toque largue a pobre menina em paz o quanto antes, pra que ela não se torne um Rafael Ilha ainda na adolescência.
Eis a campanha FREE MAÍSA!
O Nosso recado pro tio Sílvio:
AI AI AI UI UI!!!!!!!
Peço a todos que passem essa mensagem em seus blogs, pra que o cara se toque largue a pobre menina em paz o quanto antes, pra que ela não se torne um Rafael Ilha ainda na adolescência.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Estados Alterados
Uma vez eu assisti numa madrugada um filme chamado "Viagens Alucinantes", que falava de um cientista que tentava provar que outros níveis de consciência são na verdade uma forma de nos ligarmos ao passado da nossa existência como espécie. Eu não consegui ver o filme até o final naquela madrugada, pois os sono era maior que a curiosidade, mesmo assim, tendo visto um pouco mais da metade do filme achei o tema interessantíssimo, e acabei colocando o filme no arquivo dos "Bons" na minha memória. Mais ou menos uns sete anos depois eu achei o filme numa locadora e aluguei, pra ver até ao final. O resultado é que o final do filme é horrível, e hoje ele está no arquivo de "Filmes Que Poderiam Ter Dado Certo Mas Que Metem os Pés Pelas Mãos no Final" da minha memória. Tendo passado por noites muito mal dormidas ultimamente, resolvi (por pura falta do que fazer e pra ver se o sono vinha) listar mais alguns filmes que eu vi e que na minha concepção tinha tudo pra ser uma coisa muito boa, mas não foram. Lembrei de cara de uma adaptação do Stephen King pro cinema chamada "It", um filme de umas três horas, com um clima excelente, mas com um final terrível. O trauma dos personagens e a forma como ele é retratado no filme é ótima, a idéia de tornar a imagem de um palhaço como um vilão possivelmente sobrenatural, apesar de batida é muito bem aproveitada, até o final ( VOU CONTAR O FIM DO FILME HEIN!!!), quendo vilão que tanto assusta e sugere o medo de forma tão eficaz se revela uma espécie de aranha gigante interplanetária. Ruim, né? Mas até esse desfecho caótico o filme é muito bom. Depois lembrei de um filme francês que vi num canal de UHF chamado "Doberman". Esse filme me dá raiva até hoje, mas tao contrário dos outros dois citados o problema não é o final, porque a história inteira é horrível. Pancadaria, sanguinolência, clichês e golpes de bandidos com cara de "Sou muito mal, olha a minha careta de vilão". Mas os aspectos técnicos do filme são incríveis: Um visual estilizado muito bem bolado, ao estilo Peter Greenaway, somado a uma edição maravilhosa, com claras referências aos filmes de ação dos anos 70, onde você via vários planos de sequência(ou quadros) ao mesmo tempo que se completavam. O Brian de Palma faz isso muito bem até hoje, vale conferir essa técnica em "Femme Fatale", outro filme ótimo com um final horrível, (aliás, alguém reparou que nesse filme tem um personagem que fica um montão de anos na cadeia e quando sai, recebe as roupas que tinha quando chegou, inclusive a sua camisa que estava cheia de sangue, e depois de tantos anos o sangue na camisa ainda está vermelhão-vivo?). Outro filme nessa linha é "Encaixotando Helena", que parte de uma premissa original, que chama a atenção, mas que é tão mal interpretado e tão mal resolvido que enjoa. Filme de zumbi é um prato cheio pra esse tipo de coisa acontece (sim, eu gosto de filme de zumbi, e aí???"A noite dos mortos-vivos" do George Romero é um clássico), vide "Extermínio", do oscarizado Danny Boyle, onde um cidadão inglês comum cercado de zumbis e militares alucinados se torna um RAMBO em vinte minutos. Aí eu prefiro ver o Stallone mesmo, pelo ele já tem aquela cara de lunático por natureza e o filme é legal do começo ao fim (O primeiro "Rambo", os outros são perfumaria). Geralmente filmes metidos a "filmes cabeça" acabam caindo nessa falha porque vão se enrolando tanto que não conseguem se resolver de uma forma decente, ou inventam algo que não tem nada a ver com o enredo (o que nos deixa com aquela de "tudo aquilo por causa disso?") ou apelam pra tática do "foi tudo um sonho" ou "foi tudo armado há vinte anos atrás quando o personagem principal tinha 6 anos". Mancada isso. Nessa linha temos "Garotas Selvagens", Cheque Mate" e alguns outros que agora eu não lembro. To com sono. Depois mando mais.


Tem quem saiba das coisas
“As mulheres são todas diferentes. Quando se perde um homem, há outro igual ao virar da esquina. Quando se perde uma mulher, é uma vida”.
Raymond Chandler
Raymond Chandler
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