quarta-feira, 11 de março de 2009

Aqui tem um bando de loucos

M.S., nome preservado, mulher, 51, professora de uma escola pública da zona norte de São Paulo há 17 anos, casada com J.L., mãe de D.L.(ambos os nomes também preservados), vida totalmente normal. É tida pelos amigos e conhecidos como uma mulher ponderada, bem humorada e saudável. Não há registros oficiais o boatos de que M.S. tenha alguma vez se envolvido em alguma discussão, briga ou qualquer outro genero de desordem que apontasse algum distúrbio psicológico. Nunca teve problemas com alunos nem reclamações da diretoria da sua escola, é inclusive cotada para assumir a direção da escola, assim que a atual diretora se aposentar. Nesses 17 anos lecionando, apenas 3 tentativas de suicídio devidamente contidas e controladas pelos próprios familiares, uma mulher exemplar na sua conduta, sem dúvida. J.L. também mantém a postura exemplar dentro não só da estrutura familiar (segundos os próprios), mas na vida social. Motorista aposentado, 65, é tido como um homem culto, sensato e avesso a entreveros e discussões de qualquer ordem. É conhecidos na rua onde mora com sua família há mais de 20 anos como o "churrasqueiro oficial" de todas as festas que são realizadas pela comunidade e pela habilidade e paciência ao lidar com os jovens que se tornam mais exaltados pelo álcool, algo comum nas churrascadas do bairro. Sua ficha profissional é de dar inveja a qualquer jovem profissional da direção, tendo apenas 23 atropelamentos registrados em 36 anos de trabalho, com ínfimas 15 mortes. Culpa comprovada em apenas 18 destes casos, um homem de bem, é fato. Já o filho único desse amável casal infelizmente destoa dessa harmonia pacífica. D.L., 22, entre tantas profissões que enobrecem o homem e mesmo com os exemplos de sua casa resolveu seguir a carreira perigosa da literatura. Vivia nos guetos da cidade distribuindo convites ao caos, feitos por ele, intitulados de "Zines". É considerado pelos vizinhos um subversor da ordem, avesso a formas de educação tão tradicionais como a televisão e é chamado por alguns de passional, sendo que correm boatos que teria uma vez se apaixonado por uma mulher e declarado seu amor em plena madrugada e em público, o que, com efeito, causou horror aos mais velhos. Para tristeza de sua família, foi internado no internacionalmente conhecido Pirituba Institute of Neurological Estudies United (P.I.N.E.U.) no último dia 8 Março, após ter sido autuado sem camisa nas redondezas de sua bairro, gritando a plenos pulmões "Ô, o Ronaldão voltou". Definitivamente uma tragédia para uma família tão zelosa e regular.

2 comentários:

Carol M. disse...

hahaha, incrível.

salvaterra disse...

excelente mesmo. ri muito. inspirador.