quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Problemas Conceituais

O problema desse mundo são os cronópios. Eles nunca sabem pra onde vão, se é que estão indo pra algum lugar e pior, nem se dignam a chegar, se divertindo pelo caminho que vai desse nada cheio de figuras alegóricas a lugar nenhum palpável. Há assim, uma falta de definição latente na estrutura dessas criaturas, uma falta na formação de conceitos, eles não acreditam na durabilidade do definir e já começam errando ao se definir, pois nem a elas mesmas se prestam a ter clareza, eis aliás a diversão delas. Colocam pingos nos "is", invertem sinais de interrogação, exclamam, como exclamam! Vivem exclamando por aí, e quando isso perde a graça abandonam toda a pontuação seja ela no sentido lato ou figurado despontuam e inventam sem ter motivos ou as vezes com movimentos que parecem absolutamente programáticos, criaturas que não mentem, mas inventam aos borbotões. Uma vez me deparei com um sujeito desses num terminal de ônibus rodoviários em Pouso Alegre, na forma de um senhor de chapéu de palha e terno velho, tão velho quanto o seu bigode. Ele me contou sobre a necessidade da existência de um sistema métrico próprio para se calcular certas distâncias em Minas. Alegou que tal sistema já teria sido proposto na época da Governança de Mariana quando Salvador Fernandes Furtado de Mendonça percebeu que a disposição geográfica dos morros daquela região era digna de se dividir em pequenos povoados que ficassem não em vales, mas sim no alto de cada morro, pois assim poderiam se comunicar com mais facilidade, sem contar que em eventuais conflitos poderiam se vigiar de forma igual, sem ter onde se esconder por entre matas e buracos profundos na terra. O que me pareceu claro foi que este impróprio cronópio começou falando de uma coisa e terminou falando de outra, e foi que efetivamente tentei explicar ao senhor, que me respondeu de forma sisuda: "O seu problema são os conceitos rapaz. Você precisa aprofundar os seus conceitos antes de questionar um trem tão complexo".

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